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1 de out de 2014

Alguns fatos sobre a escravidão no Brasil


Negros dentro de um navio negreiro
- Os primeiros navios negreiros foram trazidos pelo português Martim Afonso de Sousa, em 1532. A contabilidade oficial estima que, entre essa data e 1850, algo como 5 milhões de escravos negros entraram no Brasil. Porém, alguns historiadores calculam que pode ter sido o dobro.
- Os navios negreiros que traziam os escravos da África até o Brasil eram chamados de tumbeiros, devido à morte de milhares de africanos durante a travessia. Estas mortes ocorriam devido aos maus-tratos sofridos pelos escravos, pelas más condições de higiene e por doenças causas pela falta de vitaminas, como no caso do escorbuto.
- É possível traçar a origem dos escravos em três grandes grupos: os da região do atual Sudão, em que os iorubás, também chamados nagôs, predominam; os que vieram das tribos do norte da Nigéria, a maioria muçulmanos, chamados de malês ou alufás; e o grupo dos bantos, capturados nas colônias portuguesas de Angola e Moçambique.
- Quando chegava ao Brasil, o africano era chamado de “peça” e vendido em leilões públicos, como uma boa mercadoria: lustravam seus dentes, raspavam os seus cabelos, aplicavam óleos para esconder doenças do corpo e fazer a pele brilhar, assim como eram engordados para garantir um bom preço.
- Um escravo valia mais quando era homem e adulto. Um escravo era considerado adulto quando tinha entre 12 e 30 anos. Eles trabalhavam em média das 6 horas da manhã às 10 da noite, quase sem descanso, e amadureciam muito rápido. Com 35 anos, já tinham cabelos brancos e bocas desdentadas.
- Os cativos recebiam, uma vez por dia, apenas um caldo ralo de feijão. Para enriquecer um pouco a mistura, eles aproveitavam as partes do porco que os senhores desprezavam: língua, rabo, pés e orelhas. Foi assim que, de acordo com a tradição, surgiu a feijoada.
- A Festa de Nossa Senhora do Rosário, a padroeira dos escravos do Brasil colonial, foi realizada pela primeira vez em Olinda (PE), no ano de 1645. A santa já era cultuada na África, levada pelos portugueses como forma de cristianizar os negros. Eles eram batizados quando saíam da África ou quando chegavam ao Brasil.
- Na cidade de Serro (MG), acontece a maior de todas as festas em homenagem a santa, em julho, desde 1720. De acordo com a lenda, um dia Nossa Senhora do Rosário saiu do mar. Ao ser chamada por índios, não se mexeu. O mesmo aconteceu com marinheiros brancos. A santa só atendeu aos escravos, que tocaram bem forte os seus tambores.
- Crianças brancas e negras andavam nuas e brincavam até os 5 ou 6 anos anos de idade. Tinham os mesmos jogos, baseados em personagens fantásticos do folclore africano. Mas aos 7 anos, a criança negra enfrentava sua condição e precisava começar a trabalhar.
- Cada senhor de engenho tinha autorização para importar 120 escravos por ano da África. E havia uma lei que estipulava em 50 o número máximo de chibatadas que um escravo podia levar por dia.
- A cozinha era muito valorizada na casa-grande. Conquistaram o gosto dos europeus e brasileiros os pratos de origem africana, como vatapá e caruru, comuns na mesa patriarcal nordestina. A cozinha ficava num anexo da casa, separada dos cômodos principais por depósitos ou áreas internas.
- Normalmente, divisões internas da senzala separavam homens e mulheres. Mas, algumas vezes, era permitido aos poucos casais aceitos pelo senhor morarem em barracos separados, de pau-a-pique, cobertos com folhas de bananeira.
- Aos domingos, os escravos tinham direito de cultivar mandioca e hortaliças para consumo próprio. Podiam, inclusive, vender o excedente na cidade. A medida combatia a fome do campo, pois a monocultura de exportação não dava espaço a produtos de subsistência.
- Quando a noite caia, o som dos batuques e dos passos de dança dominava a senzala. As festas e outras manifestações culturais eram admitidas, pois a maioria dos senhores acreditava que isso diminuía as chances de revolta.
- Com a expansão das cidades, multiplicam-se escravos urbanos em ofícios especializados, como pedreiros, vendedores de galinhas, barbeiros e rendeiras. Os carregadores zanzam de um lado a outro, levando baús, barris, móveis e, claro, brancos.
- Escravos de Ganho eram escravos que tinha permissão de vender ou prestar serviços na rua. Em troca, ele deveria dar uma porcentagem dos ganhos a seu dono.
- Em algumas regiões, os escravos africanos eram divididos em três categorias: o “boçal”, que recusava falar o português, resistindo à cultura europeia; o “ladino”, que falava o português; e o “crioulo”, o escravo que nascia no Brasil. Geralmente, ladinos e crioulos recebiam melhor tratamento, trabalhos mais brandos e perspectiva de ascenção social.
- Os negros nunca tiveram uma atitude passiva diante da escravidão. Muitos quebravam ferramentas de trabalho e colocavam fogo nas senzalas. Outros cometiam suicídio, muitas vezes comendo terra. Outros, ainda, entregavam-se ao banzo, grande tristeza que podia levar à morte por inanição. A forma comum de rebeldia, no entanto, era a fuga.
- Segundo alguns historiadores, a capoeira nasceu de um ritual angolano chamado n’golo (dança da zebra), uma competição que os rapazes das aldeias faziam para ver quem ficaria com a moça que atingisse a idade para casar. Com o tempo, a prática se transformou em exibição de habilidade e destreza.
- A palavra capoeira não é de origem africana. Ela vem do tupi (kapu’era). Trazida para o Brasil por intermédio dos navios negreiros, a capoeira foi desenvolvida nos quilombos pernambucanos do século XVI. As características de luta e dança adquiridas no país podem classificá-la como uma manifestação cultural genuinamente brasileira.
- O berimbau é um instrumento de percussão trazido da África (mbirimbau). Ele só entrou na história da capoeira no século XX. Antes, o instrumento era usado pelos vendedores ambulantes para atrair os clientes. O arco vem do caule de um arbusto chamado biriba, comum no Nordeste, que é fácil de envergar.
- Até a abolição da escravatura, a lei punia os praticantes de capoeira com penas de até 300 açoites e o calabouço. De 1889 a 1937, a capoeira era crime previsto pelo Código Penal. Uma simples demonstração dava seis meses de cadeia. Em 1937, o presidente Getúlio Vargas foi ver uma exibição, gostou e acabou com a proibição.
- Após a independência de Portugal, em 1822, uma das primeiras medidas do governo foi proibir que alunos negros frequentassem as mesmas escolas que os brancos. Um dos motivos apontados é que temiam eles pudessem transmitir doenças contagiosas.
- O movimento abolicionista tinha mais de 60 anos quando a Lei Áurea foi assinada, em 1888. Mobilizava muitos intelectuais da época, como escritores, políticos, juristas, e também a população de uma forma geral.
- Em 1823, dom Pedro I chegou a redigir um documento defendendo o fim da escravidão no Brasil, mas a libertação só ocorreu 65 anos depois.

30 comentários:

  1. Vim conhecer seu blog e já amei e estou seguindo,
    venha conhecer o meu cantinho e se gostar segue também.
    obrigada.

    http://dieinydicas.blogspot.com
    https://www.facebook.com/dieiny.josiane

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  2. Olá parabéns pelo blog te desejo muito sucesso e estou te seguindo para acompanhar teu trabalho beijos http://www.cantinhojutavares.com

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  3. Olá Mauro Luiz, vim agradecer e retribuir sua visita, seu blog é muito interessante, Parabens ,sucesso.

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  4. Que riqueza de informações, Lú. Como sofriam e padeciam os nossos pais d'Africa! Quanta humilhação! Mesmo hoje ainda somos discriminados.
    Obrigado pelo estudo.
    Abração.

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  5. Olá, Mauro. Vim retribuir sua visita, e gostei muito do blog.
    Devo confessar que sou fraca para ler esse tipo história. Acho muito importante conhecer todo nosso passado, ter consciência dos erros e consequências que isso causou, mas sinto uma dor grande a cada linha que leio.
    O post o holocausto é um que não vou conseguir ler. Lembro-me de uma aula de geografia onde o professor passou um vídeo da segunda guerra e eu não consegui permanecer dez minutos na sala.
    Ainda sim tem muito conteúdo bom e de grande valor cultural.
    Parabéns! ;)

    http://yagaminana.blogspot.com/

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  6. Que belo artigo amigo Mauro, adoro essas histórias antigas.

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  7. Olá Mauro! Boa tarde!
    Nossa!!! Adorei seu blog!!!
    Li alguns posts rapidamente,mas já favoritei pra voltar mais tarde e terminar de ler com calma! Que conteúdo maravilhoso!Parabéns!
    Aproveito para agradecer sua visita em meu blog e claro: já tô por aqui!
    Obrigada,abraços.

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  8. Bom dia!!! Amei seu blog e já estou seguindo abraços

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  9. Ótima postagem. Na capoeira cantamos muito sobre os "tumbeiros" e sobre a origem dos africanos escravizados. Amei ver um grande sofisma de nossa arte escrito aqui, sobre o nome. É uma das questões que prova que a capoeira nasceu em nossas terras e a maioria dos leigos, desconhece esse fato. Ótima postagem.
    Tenha um fim de semana abençoado, beijos!

    Blog Paisagem de Janela
    paisagemdejanela.blogspot.com.br

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  10. Olá, eu sou a Fran do blog Fran Paradise Makeup e conheci teu blog através da agenda dos blogs, já estou lhe seguindo adorei teu conteúdo, venha conhecer o meu tbm... Um super bjo
    www.franparadisemakeup.com.br

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  11. Olá, bom tudo, para você
    Neste dia de sábado, doado-nos graciosamente pelo Criador, estou cá, com o sentimento de amizade, respeito e alegria, à saudar-te.
    Viva, o dom da Vida.
    Um abraço.

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    Respostas
    1. Grato pelas belas palavras e por participar do Blog.

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  12. Olá Mauro adorei sua visita no meu cantinho e já estou fazendo parte do seu também achei interessante e tem um conteúdo muito bom um ótimo dia pra você

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  13. Postagem maravilhosa amei bom final de semana.
    Blog: http://arrasandonobatomvermelho.blogspot.com.br
    Canal de youtube: http://www.youtube.com/NekitaReis

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  14. O tema escravidão é fonte inesgotável de histórias, fatos, riquezas culturais para muitas gerações de brasileiros ainda por vir. A cada dia deparamos com alguma pesquisa, informação, narrativa, documento encontrado em algum recanto, trazendo registros de fatos ainda não de domínio público. Muito bom seu trabalho, Mauro. Para o espaço de um artigo de blog, trouxe muito conteúdo para a luz, tornando-o visível e compartilhado. Parabéns.

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  15. Matheus Yudi 11 de Maio
    Muito legal seu blog
    Muito obrigado

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Olá! Muito obrigado por ler meu Blog. Seja muito bem-vindo!

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