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16 de outubro de 2014

Qual era papel da mulher na Idade Média?

Curiosidades históricas

A mulher assumiu diferentes lugares e significados ao longo de toda a Idade Média

“A alma de uma mulher e a alma de uma porca são quase o mesmo, ou seja, não valem grande coisa.” (Arnaud Laufre).
“Toda mulher se regozija de pensar no pecado e de vivê-lo.” (Bernard de Molas).
“Quem bate numa mulher com uma almofada, pensa aleijá-la e não lhe faz nada” (Provérbio da época).
Por estes pensamentos da época já dá para se ter uma idéia da visão que o homem tinha da mulher. Mas aí é que está, não se pode concluir como era a vida da mulher apenas pela visão masculina. Pois esta pode estar distorcida, ser apenas fruto de sua imaginação. É necessária que seja feita uma avaliação também da visão feminina.  Aqui mostramos essa avaliação da visão de ambos os sexos. Para tentar concluir como era a vida das mulheres na Idade Média.

A mulher na Família


As filhas eram totalmente excluídas da sucessão, quando contraiam matrimônio recebiam um dote, constituído de bens que seriam administrados pelo marido.  A linhagem beneficiava apenas componentes do sexo masculino, e a herança só era passada para o primogênito, isso como forma de evitar a divisão dos bens da família. Quando a mulher se casava passava a fazer parte da família do esposo. Nessa nova família, quando viúva, não tinha direito à herança.
O casamento era um pacto entre duas famílias, seu objetivo era simplesmente a procriação. A mulher era ao mesmo tempo doada e recebida, como um ser passivo. Sua principal virtude, dentro e fora do casamento, deveria ser a obediência, submissão. Filha, irmã, esposa: servia somente de referência ao homem que estava servindo.
A inferioridade feminina provinha da fragilidade do sexo, da sua fraqueza ante aos perigos da carne. No centro da moral cristã existia uma aguada desconfiança em relação ao prazer. Ele, segundo os moralistas, mantinha o espírito prisioneiro do corpo, impedindo-o de se elevar em direção a Deus.
Na prática do sexo, sempre com o objetivo único da procriação, a mulher não deveria demonstrar sensação de prazer, a posição deveria ser o homem sobre a mulher. Essa posição obrigatória da prática do sexo indicava a situação de submissão que dela se esperava.
Seguramente, na concepção dos religiosos, o marido que amasse excessivamente sua esposa era visto como adúltero. Não deveria usá-la como se fosse uma prostituta. A mulher não podia tratar o marido como se ele fosse seu amante. Por intermédio do casamento, o corpo da mulher passava a pertencer ao seu esposo. Mas a alma dela deveria sempre permanecer na posse de Deus.
Na época, buscava-se justificar o desprezo dos homens pelas mulheres de todas as formas. Para os pensadores da época, a palavra latina que designava o sexo masculino, Vir, lembrava-lhes Virtus, isto é, força, retidão. Enquanto Mulier, o termo que designava o sexo feminino lembrava Mollitia, relacionada à fraqueza, à flexibilidade, à simulação.
Aos homens, pais ou maridos cabia o direito de castigá-las como uma criança, um doméstico, um escravo.  Este desdém revela ao mesmo tempo desconfiança e temor. Os homens receavam o adultério por parte da esposa. Temiam que lhes oferecessem certos filtros mágicos que os levassem a impotência. Esterilidade, esta, que assustava os homens.

Atividades Profissionais


Na época, a mulher era vista como um ser que foi feito para obedecer. Não era bom que uma mulher soubesse ler e escrever, a não ser que entrasse para a vida religiosa. Uma moça deveria, isso sim, saber fiar e bordar. Se fosse pobre, teria necessidade do trabalho para sobreviver. Se fosse rica, ainda assim deveria conhecer o trabalho para administrar e supervisionar o serviço de seus domésticos e dependentes.
Entretanto, não devemos pensar na mulher como um grupo compacto e oprimido pelos homens. As diferenças sociais foram sempre tão fortes como as diferenças de sexo. Muitas vezes a opressão era exercida pelas mulheres poderosas sobre as suas dependentes. 
As camponesas deveriam, quando casadas, acompanhar seus maridos em todas as atividades desempenhadas no domínio senhorial onde trabalhava. Quando viúva trabalhava com os filhos ou sozinha. Já às aristocratas cabia a tarefa de ser dona de casa, função difícil na época, pois a economia doméstica era bastante complicada, exigiam muita habilidade e senso de organização da dama. O suprimento de alimentos e vestimentos da vasta família estava sob sua responsabilidade. Tinha de administrar o trabalho dos domésticos, acompanhar passo a passo à fabricação dos tecidos, controlar e supervisionar o abastecimento de alimentos.

Aspectos da Marginalidade Feminina 


É difícil sustentar a hipótese de uma marginalização generalizada da mulher na Idade Média. O casamento, tornando-a responsável pela reprodução biológica da família, garantia-lhe papel de relevo na estabilidade da ordem social. Juridicamente despersonalizada, esteve reduzida ao meio familiar e doméstico.
Em alguns casos não se tratava apenas de marginalização de mulheres. A heresia, por exemplo, teve seguidores dos dois sexos.
Os movimentos heréticos representavam perigo para a doutrina oficial da Igreja em vários momentos desde a afirmação do cristianismo como religião preponderante no Ocidente. As heresias, doutrinas contrárias ao que se foi estabelecido pela Igreja, levados, pela independência na interpretação de textos sagrados, ao confronto com os dogmas estabelecidos, e outras vezes de velhas tradições pagãs não assimiladas pelo cristianismo e refutadas por esse motivo.
Na heresia, ao contrário das normas da Igreja, existia espaço para a pregação ao sexo feminino. Em uma das doutrinas hereges, as mulheres poderiam se tornar “perfeitas”, um grau superior nesta doutrina. Ao que tudo indica, esta mulher “perfeita” poderia prestar os mesmos serviços espirituais que o um homem, tendo os mesmos direitos e o mesmo apoio que eles gozavam.
Outra questão que levava a marginalidade feminina era a prostituição. Parece surpreendente o fato de uma atividade oposta aos rígidos padrões morais da época ter sido tão amplamente desenvolvida, tornando-se mesmo pública entre as pessoas que estabeleciam os fitos padrões. A prostituição, na verdade, foi sempre ambígua, considerada um “mal necessário”. Em última instância, a prostituição, imoral, colaborava para a sanidade da sociedade.
A prostituição resolvia o problema dos jovens. A difusão da prostituição em meio urbano diminui a turbulência característica desse grupo. O recurso aos “casarões noturnos” diminuiu a possibilidade de estupros, arruaças e violências generalizadas cometidas pelas agremiações juvenis. Resolvia também o problema da homossexualidade masculina.  A prostituição servia ainda de remédio às fraquezas dos clérigos diante dos prazeres da carne.
Assim, de pernicioso aos olhos dos moralistas, pela garantia da moralidade pública, o meretrício, mais que tolerado, foi estimulado. Entretanto as “marcadoras do prazer” jamais foram bem vistas. Pelo contrário, era preciso afastá-las das “pessoas de bem”.

Conclusão


Ao final deste trabalho conclui-se que:
A mulher era vista como submissa pois era temida. Considerava-se que a mulher era o pecado, a carne fraca.
O casamento não tinha nunca o objetivo de unir pessoas que se amam, ou o objetivo de dar prazer a alguma das partes, e sim o objetivo da procriação.
A mulher quando se casava simplesmente trocava de homem ao qual tinha que se submeter (de pai para agora marido).
A prostituição era considerada um “mal necessário”, pois curava vontades de jovens e clérigos, mas ainda assim as prostitutas eram marginalizadas da sociedade.
As doutrinas diferentes à religião católica pregavam que a mulher poderia ter os mesmos direitos que os homens, por isso eram calorosamente perseguidas pela Igreja.
À mulher cabia as responsabilidades domésticas, exceto no caso de camponeses e classes mais baixas, que deveriam acompanhar seu marido no trabalho feudal.

Fonte: http://www.coladaweb.com/ 

23 comentários:

  1. Triste constatar que nos nossos dias pouca coisa mudou...
    Abraço!

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  2. Infelizmente as mulheres eram muito maltratadas nesta época. Mais triste ainda é saber que existem alguns lugares que ainda são nos dias de hoje. Abraços.

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  3. Olá,
    Retribuindo a visita lá no BLOG DO PARCEIRO.
    Parabéns pelo blog.
    Prometo que virei mais vezes aqui procurar algo interessante pra compartilhar com os meus leitores e seguidores, pois como o nome do meu blog já fala por si: BLOG DO PARCEIRO. Gosto de compartilhar o que é belo.
    DEUS te proteja hoje e sempre!!

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  4. Ola, vim visitar e me surpreendi com o conteúdo. Um blog sério e com um conteúdo muito completo. Eu faço filosofia me formo no fim desse ano e penso em fazer história no ano que vem. Simplesmente incrível e sobre o fato das mulheres na sociedade, elas ainda tem um longo caminho pela frente para igualar-se aos homens, não porque elas não querem, o fato é que elas não podem pois ainda estão presas na visão antiga da sociedade. Parabéns pelo trabalho sério e de muito bom gosto...
    http://cafecomaromadelivros.blogspot.com.br/

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  5. Nossa estes dias comentei isso aqui em casa, mulher era objeto para reprodução. Tratadas com desprezo, muitas coisas mudaram, mas ainda exite seres "pré históricos" por aí, essa raiz educacional precisa ser extinta, mas entendo como é complicado tentar mudar atitudes que são repassadas por gerações.

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  6. Ainda bem que isso é passado.
    Li num blog o seguinte texto, e concordo plenamente: "Diz o ditado que: “atrás de um grande homem, há sempre uma grande mulher”. Errado! Totalmente errado! Deveríamos substituir por: “ao lado de um grande homem, há sempre uma grande mulher”. Eu sou testemunha desse fato, sou o que sou por ter uma perceira que tenho. Somos dois em um, parceiros em tudo. Minha esposa é a mulher mais importante em minha vida.
    Parabéns pela postagem, enriquecedora.

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  7. Olá Mauro, aqui é do De Cara com a Poesia. Vimos o seu comentário, muito obrigado! Você poderia participar da Promoção? Inclusive, umas das perguntas diz respeito a um fato histórico bem interessante que aconteceu no século XX no Brasil.
    No mais, muito obrigado e também gostamos muito do seu blog, falar de história, evidenciando alguns pontos muito importantes, que, muitas vezes, passam à margem das discussões mais generalizantes é muito interessante!

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  8. Olá, estou participando aqui do blog e seguindo no g+, achei bem curioso mesmo rs

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  9. Passando prá retribuir a visita e conferir de perto seu trabalho Mauro...gostei !!!

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  10. Triste é que ainda hoje, com todo avanço que a mulher conseguiu na sociedade, muitas ainda se comportam como se fossem produtos, como se seus corpos fossem mercadorias, moedas de troca; e de uma forma ou de outra acabam prejudicando nossa imagem perante a sociedade. Homem e mulheres não são iguais, mas ambos tem o mesmo valor para a sociedade e para Deus. Ambos são necessários para o bom andamento das relações sociais, da vida. Mas cada um, a seu modo.
    Ótimo texto;
    Fique com Deus !
    http://amelialuanasales.blogspot.com.br/

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  11. em suma ...em pleno início do séc XXI ainda temos lugares que não saíram da idade média....

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  12. E vergonhoso isso na ssociedade da epocas passadas e hoje também, para mim não importa o sexo, somos todos espírito divinos feito por Deus.

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Olá! Muito obrigado por ler meu Blog. Seja muito bem-vindo!