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20 de nov de 2014

Muro de Berlim: curiosidades


Muro de Berlim

1. A Alemanha Oriental surgiu antes do Muro de Berlim: A Alemanha Oriental – conhecida em português pela sigla RDA (DDR, em alemão) – surgiu anos antes da construção do Muro. Em 7 de outubro de 1949, o novo país foi fundado a partir dos territórios controlados pela União Soviética (após a divisão feita ao fim da Segunda Guerra entre os vencedores). Um contraponto direto ao lado controlado por EUA, França e Reino Unido, que, em 16 de setembro do mesmo ano, arquitetavam a criação da República Federal da Alemanha (RFA, ou BRD, em alemão). No lado oriental, a capital era Berlim; no ocidental, Bonn.



2. Mesmo com duas Alemanhas, Berlim continuava sem divisão física: A cidade foi dividida em quatro partes entre os vencedores da Segunda Guerra: EUA, Reino Unido e França a Oeste, União Soviética, a Leste. Mesmo após a criação das duas Alemanhas, havia certa liberdade de movimento entre as zonas, por mais que o controle (especialmente de leste a oeste) tenha sido aumentado gradativamente. O metrô, com várias linhas que iam de um lado a outro, circulava normalmente.



3. Stalin tentou unificar as Alemanhas: Em março de 1952, o então líder soviético, Josef Stalin, enviou uma proposta aparentemente boa para as forças capitalistas: tratado de paz e eleições livres em uma Alemanha reunificada. A condição era que o novo país não poderia entrar em nenhuma aliança militar contra os antigos ocupantes. O então chanceler alemão ocidental, Konrad Adenauer, recusou o plano, o que muitos historiadores veem hoje como um erro, já que poderia, em tese, ter evitado os 37 anos seguintes de divisão. Mas a proposta de Stalin tinha seus “poréns”: ela fazia com que a nova nação renunciasse a antigos territórios prussianos a leste – o que tinha potencial para acabar com a força política de Adenauer.

4. Stalin autorizou a criação de um “muro virtual”: Com a recusa de Adenauer, Stalin chamou a direção da Alemanha Oriental (notadamente Walter Ulbricht, primeiro-secretário do Comitê Central do Partido Socialista Unificado da Alemanha – SED, em alemão – e quem efetivamente mandava no país) para uma reunião em Moscou. O líder soviético deu dois conselhos: “organizar o próprio Estado” e “reforçar a proteção da fronteira” entre os dois países. Foi o suficiente: em 26 de maio de 1952, os líderes orientais fecharam a fronteira entre as zonas e estabeleceram perímetros máximos de circulação de estrangeiros dentro da área sob controle soviético – em uma espécie de “muro virtual”.

5. Alemanha Ocidental ganhou soberania no mesmo dia do fechamento da fronteira: No mesmo 26 de maio de 1952, um tratado dava soberania (mesmo que relativa) à Alemanha Ocidental, permitindo que ela entrasse na Otan (Aliança do Tratado do Atlântico Norte) três anos depois.

6. O lugar para fugir era… Berlim: A fronteira interna entre os dois países havia sido fechada, mas ir de um lado para o outro não era muito difícil: bastava viajar a Berlim. A cidade continuava dividida, mas atravessar de uma zona a outra não era tão complicado. Isso preocupava Ulbricht.

7. Morte de Stalin atrasou construção: Em janeiro de 1953, Stalin havia acertado com Ulbricht a colocação de guardas na fronteira entre as zonas soviética e dos outros ocupantes em Berlim. Segundo a historiadora Hope M. Harrison, professora da George Washington University, no livro “Driving Soviets up the Wall”, os homens seriam colocados para “acabar com o acesso descontrolado a Berlim Oriental a partir dos setores ocidentais” e, principalmente, vice-versa.

Frederick Taylor, autor de “Muro de Berlim”, uma das obras mais importantes sobre o tema, afirma que isso era, basicamente, “a premissa de uma fronteira fortificada em Berlim”. Em 1º de março, no entanto, Stalin sofreu um derrame, morrendo no dia 5. O novo governo soviético, então, engavetou os planos para a capital da RDA.

8. Fugas para Berlim Ocidental ajudaram o governo da RDA a decidir pela barreira: Mesmo com controles cada vez mais rígidos, o número de pessoas que atravessavam da zona soviética para a zona controlada pelos capitalistas só aumentava. Em maio de 1961 (ano da construção do Muro), 17.791 haviam fugido para o oeste; em junho, 19.198; só nas duas primeiras semanas de julho, 12.578. Até o fechamento da fronteira, o número total superava 870 mil.

Muro de Berlim


9. “Ninguém pretende construir um Muro”: Walter Ulbricht ficou famoso por essa frase, dita durante uma entrevista coletiva à imprensa em 15 de junho. Na conversa com os jornalistas, ele havia deixado claro que, assim que Berlim saísse do controle das forças de ocupação, o SED assumiria o controle de todas as rotas aéreas e terrestres que tivessem como origem ou destino a capital Oriental.

10. Barreira foi construída de um dia para o outro: 1 hora da manhã, 13 de agosto de 1961, domingo: sob o comando do então secretário de Segurança do Comitê Central do SED e futuro líder da Alemanha Oriental, Erich Honecker, soldados foram posicionados a cada dois metros ao longo de toda a fronteira interna de Berlim. Enquanto isso, outras tropas cercavam a parte ocidental com arame farpado e mais bloqueios. A iluminação nas ruas próximas foi desligada enquanto o trabalho era feito. 
Segundo o historiador Frederick Taylor, 68 dos 81 pontos de cruzamento entre as zonas soviética e as outras foram fechadas, além das 193 ruas que atravessavam as fronteiras. Linhas de metrô (U-Bahn) e de trem (S-Bahn) foram interrompidas. Às 6h, Berlim amanhecia fisicamente dividida.


Muro de Berlim


11. Nem o prefeito de Berlim sabia do fechamento da fronteira: A construção da barreira física pegou todo mundo de surpresa: Washington, Londres, Paris, Bonn e… o então prefeito de Berlim, Willy Brandt. No dia anterior, de forma quase premonitória, Brandt havia feito um discurso em Nuremberg, ao sul da Alemanha Ocidental, durante a campanha eleitoral para a chancelaria do país (cargo para o qual era candidato). O político disse, se referindo ao número de pessoas que fugiam da porção oriental:
“Eles temem que as malhas da cortina de ferro se fechem definitivamente. Pois receiam ser encarcerados numa enorme prisão. Pois sentem a terrível angústia de que venham a ser esquecidos, descartados, sacrificados no altar da indiferença e das oportunidades perdidas…”

12. EUA, França e Reino Unido evitaram confronto: Recebida até com certo alívio pelos Estados Unidos, a notícia da divisão da cidade provocou menos reações das forças dos países capitalistas do que esperava o prefeito Brandt. A cidade tinha um mandatário, mas eram os comandantes militares das potências de ocupação que ditavam os rumos. Brandt foi ao encontro da Kommandatura (como era chamado o grupo, sem representante soviético desde 1948) para discutir a situação e saiu decepcionado: por mais que eles estivessem solidários, só decidiram mandar patrulhas adicionais para as fronteiras após a reunião.

13. Muro dividiu ruas ao meio: Por conta da divisão estabelecida após a Segunda Guerra Mundial, havia determinadas ruas em que a zona soviética, por exemplo, terminava literalmente no meio da pista. Com a construção da barreira física entre as áreas, vizinhos foram, de repente, separados e impedidos de atravessar de um lado para outro.

14. Muro dividiu o metrô ao meio: Além de todos os problemas inerentes à divisão repentina de uma cidade, situações curiosas acabaram sendo criadas. Como dividir o metrô, por exemplo? Havia linhas que saíam de Berlim Ocidental, entravam na RDA e voltavam para o setor dos outros aliados (a linha existe até hoje e liga o norte ao sudeste da cidade). A solução foi fechar as estações de Berlim Oriental sem interromper o tráfego de trens, o que provocou o surgimento de estações fantasma, onde não havia parada. Elas eram fortemente vigiadas e protegidas até quanto a uma possível fuga dos guardas que cuidavam do local.

15. Muro cercou bairros e criou “ilhas” capitalistas na Alemanha Oriental: A divisão entre as potências ocidentais e os soviéticos não se restringiu ao meio da cidade. Bairros mais afastados sob domínio dos países capitalistas foram praticamente cercados pelo Muro e viraram ilhas dentro do território oriental. No total, foram criados 12 exclaves. Um desses lugares é um pacato bairro chamado “Steinstücken” (do alemão “pedaços de pedra”), onde hoje não moram mais do que 300 pessoas. Após uma troca de terras entre as duas Alemanhas, foi aberta uma estradinha que ligava a região a Berlim Ocidental – devidamente margeada pelo Muro.

16. Número de mortos tentando atravessar Muro até hoje é incerto: Até hoje, pesquisadores não conseguem fechar um número preciso de quantas pessoas tentaram atravessar o Muro e morreram, muito porque o governo da RDA (que chamava a barreira de “muro de proteção antifascista”) evitava divulgar as mortes – que eram sempre um constrangimento no resto do mundo.

Muro de Berlim




17. O Muro não era só um muro, mas pelo menos dois: Com o passar dos anos, o Muro foi se sofisticando. No final, havia, pelo menos, um muro de contenção, duas cercas, uma barreira antiveículos, arames farpados e torres de observação. Essa área entre os muros ficou conhecida como “faixa da morte”: o objetivo era dificultar ao máximo a passagem para o outro lado.

18. Economia ajuda a explicar a queda: A Alemanha Oriental entrou nos anos 1980 ainda como grande potência do bloco socialista, mas com a economia desandando. Junte-se a isso uma onda reformista, que se iniciou na Polônia, e podem-se ter algumas razões para o fim da RDA. Um dos “czares” econômicos da Alemanha Oriental afirmava que, em 1989, se o padrão de vida da população não fosse reduzido em 30%, o país não conseguiria fechar as contas do ano. O Muro caiu antes, entretanto.

Muro de Berlim


Mais curiosidades sobre o Muro:



1. As ruas que davam acesso às barreiras tiveram o pavimento arrancado e foram esburacadas para dificultar a aproximação de veículos

2. O primeiro obstáculo vertical podia ser de dois tipos: em alguns pontos da cidade era uma cerca de arame farpado; em outros, uma parede com 3,5 metros de altura
3. A chamada "grama de Stálin" - afiadas estacas de aço fincadas no chão - era o primeiro obstáculo horizontal para barrar veículos
4. A segunda barreira vertical era uma resistente cerca de tela entrelaçada, com 2 metros de altura
5. Nela eram espalhados mais obstáculos pelo chão: valetas, rolos de arame farpado e pequenos blocos de concreto. Sensores captavam intrusos e acionavam alarmes
6. Postes de 5 metros de altura equipados com potentes lâmpadas ajudavam na fiscalização noturna
7. Ao longo de toda a extensão do muro, foram erguidas 302 torres de observação como essa
8. Uma faixa de 6 a 7 metros de largura era utilizada para o deslocamento dos soldados. Nela também ficavam cerca de 600 cães distribuídos ao longo do muro
9. Uma outra faixa, com largura entre 6 e 15 metros, tinha chão de terra e era coberta com areia para denunciar pegadas de possíveis fugitivos. Também podia ser minada
10. Valetas com 3 a 5 metros de profundidade formavam o último obstáculo horizontal
11. Mais uma faixa, com 3 a 4 metros de largura, era asfaltada e usada por carros de patrulha
12. O muro propriamente dito tinha placas de concreto com 4,20 metros de altura. Na parte de cima, tubos de cimento impediam que as pessoas se agarrassem nele.
Esquema do Muro de Berlim

Fontes: http://mundoestranho.abril.com.br/ e www.penultimazona.blogspot.com

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