O Blog para quem gosta de curiosidades históricas

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

11 de set de 2018

D. PEDRO II: BANIMENTO, EXÍLIO E MORTE

Banimento

Imediatamente após a proclamação da República, o Marechal Deodoro da Fonseca enviou carta  à família real comunicando o banimento do Imperador. A missiva começa com um desrespeito, certamente proposital: o tratamento de "Senhor", em vez de "Majestade". A carta só contém inverdades, sobretudo quando afirma que está "obedecendo  às exigências do voto nacional". Nesta época, D. Pedro II tinha 90% da aprovação da população. O nascimento da jovem República não teve nenhuma participação popular.  
O Marechal Deodoro provavelmente não teve condições de encarar o Imperador para pessoalmente entregar-lhe a carta de banimento; mandou que um oficial do Exército o fizesse. Nessa ocasião, Pedro II tinha 63 anos e já não gozava de boa saúde. Fazia 49 anos que tinha sido declarado maior e 48 que havia sido sagrado Imperador. Banir a família imperial em um prazo de 24 horas foi um ato desnecessário, desumano e de uma violência injustificável. 



Exílio

O Imperador e toda sua família embarcaram no navio Alagoas, na madrugada do dia 17 de novembro de 1889, provavelmente para que sua partida não fosse notada pela população. Chegaram ao Tejo, em Portugal, na manhã do dia 7 de dezembro de 1889, desembarcando em Lisboa.
Destronado, deportado como um criminoso, sem mais as inúmeras ocupações que desempenhava como Chefe de Estado, sem seus livros e papéis, que tantos estímulos lhe tinham dado, ficou confinado, pobre, em um quarto de modesto hotel. D. Pedro e a Imperatriz decidiram seguir para o Porto. Hospedaram-se no Grande Hotel, que de grande tinha apenas o nome.
Quando a família imperial foi exilada, os que ajudaram a realizar o "golpe", mandaram retirar dos cofres públicos 5 mil contos de reis, o equivalente em dinheiro a aproximadamente 4,5 toneladas de ouro, para dar como forma de indenização à família imperial.
D. Pedro, além de recusar, disse que ninguém de sua família os receberia, e pediu, caso o dinheiro já estivesse sido retirado, um documento comprovando que ele fora devolvido; e terminou com a frase: "Com que autoridade esses senhores dispõe do dinheiro público?" Era a primeira tentativa republicana de desvio do dinheiro do povo.
D. Pedro II passou 49 anos governando o Brasil e durante o seu reinado nunca aumentou o soldo que recebia como Imperador, ainda que a Câmara fosse favorável. Assim que a República foi proclamada, os seus líderes, entre eles o Marechal Deodoro da Fonseca, aumentaram seus próprios salários para quase o dobro do que ganhava o Imperador do Brasil. 


Imperador D. Pedro II
"Com que autoridade esses senhores dispõe do dinheiro público?"

Morte

Em dezembro de 1891, dois anos após a morte de sua esposa, a Imperatriz Teresa Cristina, D. Pedro contraiu um resfriado que evoluiu para uma pneumonia. Em 5 de dezembro, após ter servido ao  Brasil por 58 anos, dos quais 10 através da Regência e 48 de forma efetiva, faleceu modestamente em um hotel parisiense aos 66 anos. Estavam presentes a Princesa Isabel com o Conde D'Eu e seus filhos. O presidente francês, Sadi Carnot, enviou todos os membros da Casa Militar para prestarem homenagem ao falecido monarca. Princesa Isabel, que desejava realizar uma cerimônia discreta, acabou por acatar o pedido do governo francês para realizar um funeral de Estado.
Em 8 de dezembro, o caixão com o corpo de D. Pedro II partiu para La Madaleine. Uma multidão de mais de 5 mil pessoas compareceu para acompanhar o cortejo. Dentre as muitas notícias veiculadas na imprensa internacional, escreveu o Conde Soderini: "O Imperador do Brasil era amado em todo o mundo, e era naquele tempo, juntamente com o Papa, a maior autoridade moral entre os homens de todos os países".
Na França, enquanto o governo francês queria prestar homenagens de Chefe de Estado ao Imperador, a representação diplomática do Brasil tentava convencer o governo francês a não fazê-lo, para não melindrar os governantes republicanos brasileiros. O próprio governo dos republicanos tentou, em vão, impedir que a França fizesse o funeral, e ainda, solicitava que a bandeira imperial não fosse hasteada e que os símbolos nacionais não fossem utilizados. De nada adiantou, o governo francês prestou honras grandiosas  a D. Pedro e à família imperial.


O fim do banimento

Em 3 de setembro de 1920 ( a lei do banimento foi revogada em 8 de janeiro de 1921), chegaram ao Rio de Janeiro os despojos dos Imperadores D. Pedro II  e de Dona Tereza Cristina, os quais foram depositados na Catedral Metropolitana do Rio de Janeiro. Em 5 de dezembro de 1939, os despojos foram transferidos para a cidade de Petrópolis e sepultados no Mausoléu Imperial.


d pedro ii
D. Pedro II foi vestido com o uniforme da Almirante da Armada do Brasil

Poderá gostar também: No leito de morte de D. Pedro I


Fonte: Revista do Clube Naval/Artigo do CAlte (Ref) Mucio Piragibe de Baker

Gostou do artigo? Então ajude o blog. Compartilhe com seus amigos!


Mais curiosidades históricas em: www.fatoscuriososdahistoria.com 
                                                     www.facebook.com/fatoscuriososdahistoria

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Olá! Muito obrigado por ler meu Blog. Seja muito bem-vindo!

Postagem mais recente Postagem mais antiga Página inicial